ANÁTOMO-FISIOLOGIA DA LARINGE
versão 2007
Décio Gomes de Souza
ANATOMIA
A laringe é um segmento do aparelho respiratório (fig.1). Está situada na parte mediana e superior do pescoço, sendo distal à faringe e proximal à traquéia (fig.2.G). Sua altura e dimensões variam de acordo com a idade e sexo. No homem adulto sua borda inferior corresponde à borda inferior da sexta vértebra cervical, sendo porém mais elevada na mulher e na criança. A laringe é móvel, elevando-se na fase faríngea da deglutição e nas emissões de sons agudos, e abaixando-se nas emissões de sons graves.
Cartilagens da laringe – formam o esqueleto cartilaginoso estando suspensas às estruturas adjacentes e unidas entre si por membranas e ligamentos (fig.2).
a) Cricóide (fig.2.C): ímpar, tem a forma de um anel em sinete voltado para trás. Une-se ao 1 o arco traqueal (fig.2.7) inferiormente, às cartilagens aritenóides superiormente, e à cartilagem tireóide lateralmente.
b) Tireóide (fig.2.B): está situada sobre o arco cricóide; é formada por duas lâminas laterais que se unem na linha média, formando uma projeção conhecida como “pomo de Adão”.
d) Epiglote (fig.2.F): situa-se na porção ântero-superior, e sua movimentação durante a deglutição permite proteger o trato respiratório inferior da entrada de alimentos.
d) Aritenóides (fig.2.D): em número de duas, de forma piramidal. Seu angulo anterior forma a apófise vocal, local da inserção posterior das pregas vocais.
e) Cartilagens corniculadas ou de Santorini (fig.2.E): são dois nódulos cartilagíneos que repousam sobre o ápice das cartilagens aritenóides.
f) Cartilagem de Morgani ou de Wrisberg: nódulos cartilagíneos situados na espessura da prega ariepligótica.
g) Cartilagens sesamóides anteriores e posteriores.


Figura 1 – Laringe Figura 2 – Cartilagens e membranas – visão anterior e posterior
Músculos da laringe
a) Musculatura intrínseca: possuem inserções no esqueleto da laringe (fig.3).
Adutores: aproximam as pregas vocais
cricoaritenóideos laterais
ariaritenóideos
Abdutores: afastam as cordas vocais
cricoaritenóideos posteriores
Tensores: tireoaritenóideos lateral e medial (m. vocalis)
cricotireóideos
b) Musculatura extrínseca: formada por músculos que se estendem da laringe para estruturas vizinhas, promovendo fixação e elevação da laringe.

Figura 3 – Musculatura intrínseca da laringe
Pregas da laringe (fig.4)
O interior da laringe apresenta pregas mucosas ao longo de sua luz. Duas superiores chamadas de pregas aritenoepiglóticas (fig.4.2), mais inferiormente as bandas ventriculares ou pregas vocais falsas (fig.4.3) e duas inferiores que são as pregas ou cordas vocais verdadeiras (fig.4.4) com função vocal. Esta é formada medialmente pelo ligamento vocal que vai do centro da cartilagem tireóide até as aritenóides e inclui a porção medial do músculo tíreoaritenoídeo (fig.4.13’). O espaço entre as duas últimas pregas é o ventrículo de Morgagni (fig.4.6) e a luz entre as pregas vocais é chamado de glote (fig.5).

Figura 4 – Pregas da laringe Figura 5 – Visão endoscópica da laringe
FISIOLOGIA
A laringe possui basicamente 3 funções:
Respiratória: faz parte do trato respiratório participando da condução do ar para dentro dos pulmões. A contração dos músculos abdutores agem nessa fase afastando as aritenóides e com isso as pregas vocais.
Esfincteriana : durante a fase laríngea da deglutição as cordas vocais se aproximam,a laringe é puxada para cima e para frente e a epiglote se dobra para trás fechando a entrada da laringe. O esficter esofageano superior se relaxa, e .o esôfago se abre fazendo com que o bolo alimentar seja direcionado para o esôfago, ficando a via aérea protegida (fig.6).
O esficter glótico atua ainda no mecanismo da tosse, permitindo a formação de pressão positiva intensa infraglótica; com a abertura abrupta da glote, a coluna aérea é expelida com vigor, levando junto detritos e secreções.

Figura 6 – Fases da deglutição
Fonatória (fig.6): atua como órgão gerador do som durante a fonação por meio da vibração das cordas vocais. Durante a fonação a contração dos músculos adutores aproximam as pregas vocais, e a pressão do ar expirado produz movimentos ondulatórios sucessivos no plano horizontal, entrecortando o fluxo aéreo e produzindo o tom fundamental da voz. Esse som gerado na laringe pode ser modificado na sua passagem pelo nariz e boca pela movimentação dos lábios, língua e palato produzindo os sons da fala.

Figura 7 – Movimentos da prega vocal durante a respiração e fonação e articulação da fala