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ANATOMIA E FISIOLOGIA DO OUVIDO

versão 2007

 

 

Décio Gomes de Souza

 

 

 

 

RESUMO DA APOSTILA

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                        A audição é a capacidade de ouvir os sons ambientes. O som é ao mesmo tempo um fenômeno físico e sensorial. Origina-se da vibração de um objeto e se transmite pela vibração das partículas do meio ambiente. O ouvido (anatomicamente chamado de orelha) é um órgão sensorial estruturado para captar essas ondas de vibração do meio e transformá-las em impulsos nervosos que são transmitidos para o sistema nervoso central produzindo a “sensação auditiva”.

                        As características físicas do som são o ciclo (alternância entre compressão e descompressão), freqüência (números de ciclos na unidade de tempo), intensidade ou amplitude (amplitude do ciclo), timbre (característica dependente da fonte sonora) e velocidade (dependente do meio). A freqüência é medida em Hertz (ciclos por segundo) e a intensidade audiológica em decibel (dB). Decibel é uma medida logarítima da intensidade física do som (I = watt/cm²). É usada porque é necessário aumentar muito a intensidade física do som (progressão geométrica) para aumentos segmentares na sensação auditiva (progressão aritimética). É a chamada lei de Weber-Fechner: para cada aumento aritmético de uma sensação é necessário o aumento geométrico da intensidade física.

                        Tom puro é um som com uma freqüência específica. O som complexo, como o da palavra falada, é formado por tons de várias freqüências e intensidades. O campo auditivo humano abrange uma gama de freqüências de 20 a 20000 Hz e intensidades de até 140 dB.

 

      

                           Representações figurada e gráfica do som                                                                      Campo auditivo humano

 

 

A) ANATOMIA DA ORELHA

 

                        Orelha é o nome dado às estruturas que compõe os sistemas auditivo e vestibular periféricos. Localiza-se na região temporal do crânio, estando a maioria de suas porções incrustadas no osso temporal. Divide-se em orelha externa, média e interna (ou labirinto).

 

 

 

 

   1) Osso temporal

       a) porção escamosa

       b) porção petrosa

       c) porção timpânica

       d) porção mastóidea

       e) processo estilóide

 

   2) Orelha externa

       a) pavilhão auricular

       b) meato acústico externo

 

   3) Orelha média

 

                        A orelha média é uma cavidade aerada no osso temporal também chamada de caixa do tímpano ou cavidade timpânica situada entre a orelha externa e a interna e revestida por uma mucosa. A membrana timpânica limita a orelha externa da média. Possui 3 ossículos (martelo, bigorna e estribo) suspensos na caixa por ligamentos e 2 músculos (estapediano e tensor do tímpano). Por ela atravessa o nervo corda do tímpano, ramo do nervo facial. Comunica-se com o antro da mastóide pelo ádito do antro, com a rinofaringe pela tuba auditiva e com a orelha interna pelas janelas oval e redonda.

 

      a) membrana timpânica

         - camadas externa, média e interna

         - porções tensa e flácida

         - pontos anatômicos à otoscopia: cabo do martelo, apófise curta, triângulo luminoso, ligamentos tímpano-maleolares

      b) caixa do tímpano

         - epitímpano, mesotímpano, hipotímpano e recesso timpânico posterior

         - paredes medial, lateral, superior, inferior, posterior e anterior

      c) ossículos

         - martelo: cabo, apófise curta, colo, cabeça

         - bigorna: ramo curto, corpo, ramo longo

         - estribo: cruz anterior, posterior e platina

         - ligamentos

         - dobras mucosas

      d) músculos

         - estapediano

         - tensor do tímpano

      e) tuba auditiva

 

   4) Orelha interna (labirinto)    

      - labirinto ósseo – cápsula ótica, perilinfa, aqueduto coclear, aqueduto vestibular ósseo

      - labirinto membranoso – endolinfa, aqueduto vestibular membranoso, saco endolinfático

      a)  labirinto ósseo      

         - vestíbulo - janelas oval e redonda

         - canal coclear - modíolo, lâmina espiral, rampa vestibular, rampa timpânica

         - canais semicirculares - horizontal, vertical, posterior, extremidade ampolar e não ampolar

      b) labirinto membranoso

         - sáculo

         - utrículo

         - ductos semicirculares - horizontal, vertical, posterior, extremidade ampolar e não ampolar

         - ducto coclear 

      c) labirinto anterior

         - cóclea - modíolo, canal coclear, lâmina espiral, ligamento espiral, membrana basilar, membrana de Reissner, rampa vestibular, rampa média (ducto coclear), rampa timpânica, helicotrema, estria vascular

         - órgão de Corti - células ciliadas externas e internas (estesiocílios e corpúsculo basal), túnel de Corti, células de sustentação, membrana tectória

      d) labirinto posterior

         - máculas - membrana dos otólitos, otólitos

         - cristas ampolares - cúpulas         

      e) irrigação do labirinto

         - artéria basilar - art. cerebelar ântero-inferior - art. labiríntica - artérias vestibular e coclear

      f) vias auditivas centrais

         - núcleos cocleares ventral e dorsal no bulbo

         - núcleo olivar superior

         - núcleo do lemnisco lateral

         - núcleo do colículo inferior

         - corpo geniculado medial

         - córtex auditivo temporal

 

B) FISIOLOGIA DA AUDIÇÃO

 

                        Por via aérea: a orelha externa capta os sons ambientes e os dirige para a membrana timpânica que vibrando junto com a cadeia ossicular transmite e amplifica os sons para a janela oval. A vibração do estribo faz vibrar a perilinfa desencadeando uma onda de vibração na membrana basilar da base para o ápice. Para freqüências altas a onda é maior na base da cóclea (cada região ao longo da cóclea corresponde a uma freqüência). O órgão de Corti que se encontra apoiado na membrana basilar acompanha seus movimentos e como as suas células ciliadas estão em contato com a membrana tectória os cílios são deslocados. Isso provoca a despolarização das células ciliadas aparecendo o impulso nervoso que é transmitido para o sistema nervoso central. A orelha possui portanto um segmento que transmite e amplifica o som para a o órgão de Corti (aparelho de transmissão ou condução) e um segmento que transforma a vibração em impulso nervoso e o transmite para SNC (aparelho de recepção ou neuro-sensorial).

                        Por via óssea: a vibração do crânio, por exemplo tocando-o com um diapasão, faz vibrar a perilinfa desencadeando o impulso nervoso. Por inércia a cadeia ossicular também vibra existindo um componente condutivo na audição por via óssea mas para facilitar o raciocínio clínico considera-se que a audição por via óssea estimula diretamente o aparelho de recepção.

                       

 

 

  

 

                           Aparelhos de condução e neuro-sensorial                                                                Audição por via aérea e óssea

 

 

 

   1) Orelha externa

       - direcionamento do som para a MT

       - proteção da MT – profundidade, cerume, umidade, temperatura

       - função acústica

 

   2) Orelha média

  

                        A orelha média tem a função de captar, transmitir, amplificar e dirigir o som para a orelha interna (janela oval). Também protege a cóclea contra ruídos intensos pela ação reflexa de seus músculos.

 

      a) membrana timpânica - vibração

 

      b) cadeia tímpano-ossicular

          I)   transmissão

          II)  amplificação

          III) impedância da orelha média

 

      c) músculos

          I)   proteção

          II)  função acústica

      d) tuba auditiva - aeração da orelha média

  3) Cóclea

                        Tem a função de transformar as vibrações sonoras em impulsos nervosos através de fenômenos hidromecânicos, biomecânicos e eletrofisiológicos. A vibração do estribo desencadeia uma onda de compressão na perilinfa que provoca uma onda de vibração na membrana basilar da base para o ápice (onda viajante). Seu ponto de maior amplitude vai depender da freqüência do som (na base para freqüências agudas e no ápice para as mais graves). A onda viajante no seu ponto de maior amplitude faz dobrar os cílios das células ciliadas externas que estão inseridas na membrana tectória desencadeando contrações das células que amplificam a vibração da membrana basilar em um ponto ainda mais específico em relação à freqüência do som. Isso provoca o contato dos cílios das células ciliadas internas que se despolarizam produzindo o impulso nervoso em um grupo específico de neurônios. As células ciliadas internas é que são as responsáveis pela audição existindo na cóclea uma discriminação de freqüência ao longo da membrana basilar.

a)      condução interna

      I) fenômenos hidromecânicos

          - onda de compressão na perilinfa

          - onda viajante na membrana basilar

b)      órgão de Corti - fenômenos biomecânicos e eletrofisiológicos

          I)   despolarização das células ciliadas

          II)  Etapas da excitação das células ciladas

                1ª) estimulação das células ciliadas externas (transdução mecanoelétrica)

                2ª) contração ativa das células ciliadas externas (transdução eletromecânica)

                3ª) estimulação das células ciliadas internas (transdução eletromecânica)

   4) Processamento auditivo

 

       a) discriminação de freqüência

       b) discriminação de intensidade

       c) localização do som

       d) discriminação de sons complexos

 

 

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