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SEIOS PARANASAIS

 

Versão 2008

 

 

Décio Gomes de Souza

 

 

 

A) ANATOMIA DOS SEIOS PARANASAIS

 

              Os seios paranasais são cavidades aeradas e revestidas por mucosa do tipo respiratório ciliado localizadas nos ossos ao redor das fossas nasais, comunicando-se com estas através de canais e óstios.  Podem ser classificados em anteriores (maxilar, frontal e etmoidal anterior que se comunicam com o meato médio) e posteriores (etmoidal posterior e esfenoidal que se abrem ao nível do meato superior). No meato inferior se abre o conduto naso-lacrimal.

  

                                                                                                                      Seio Esfenoidal                                                                      Seio Frontal

                                                            meato superior                    meato médio                    meato inferior

 

1) SEIO MAXILAR

                Ao nascer o seio maxilar é apenas um divertículo da fossa nasal, medindo de 7 a 14 mm de comprimento.

                Aos 12 anos, com a erupção da segunda dentição, atinge o desenvolvimento completo.

                Comunica-se com a fossa nasal através de um óstio no meato médio óstio natural sempre presente) e orifícios secundários ou acessórios (denominados de óstio acessório de Giraldes) na fontanela posterior e mais raramente na anterior (nem sempre presentes).

                Relações: superior - órbita; inferior - pálato; medial - fossa nasal; posterior - fossa ptérigopalatina 

 

                 Desenvolvimento e relação com as raízes dentárias                              Óstio natural                                         Óstio acessório

                                                           bula etmoidal apófise unciforme

 

               

 2) SEIO FRONTAL

                Surge após o nascimento, através de uma célula etmoidal anterior entre as tábuas interna e externa do osso frontal, aos quatro anos de idade.

                Pouco desenvolvido até os sete anos, adquirindo maturação completa após os 10 ou 12 anos de idade.

                Pode haver agenesia do seio frontal ou desenvolvimento exagerado (grande variação anatômica em relação ao tamanho tanto entre vários sujeitos como entre os lados direito e esquerdo no mesmo sujeito).

                Comunica-se com o meato médio através do ducto nasofrontal.

                Relações: posterior - fossa craniana anterior; inferior - órbita

 

                                     Variação anatômica entre lados direito e esquerdo                                       Seio Frontal

             

                                                                               ducto nasofrontal                   meato médio

 

 

 3) SEIO  ETMOIDAL

                Constituído por um conjunto de células com volume total de cerca de 2 a 3 cm³.

                Ao nascer são pequenas eventrações arredondadas, iniciando o desenvolvimento a partir do segundo ano de vida, com maturação ao redor dos 12-13 anos.

                O conjunto de células são denominadas de labirinto etmoidal.

                A lâmina óssea de inserção do corneto médio, divide as células etmoidais em dois grupos principais: etmóide anterior e etmóide posterior.

                Relações: medial - fossa nasal; lateral - órbita; superior - fossa craniana anterior; posterior - seio esfenoidal

 

             Células etmoidais no recém-nascido                                                         Seio Etmoidal

       

 

 

 4) SEIO ESFENOIDAL

                A formação se inicia aos nove meses de idade e prossegue até a idade adulta, havendo relações importantes com a cavidade craniana.

                Durante o desenvolvimento este seio pode invadir até a grande asa do esfenóide (como o frontal varia em tamanho).

                Relações: superior - sela turca, fossa cerebral anterior; posterior: -fossa cerebral posterior; lateral: -carótida interna e nervo ótico; anterior - seio etmoidal

  

                                                Desenvolvimento                                                                                                  Seio Esfenoidal

             

 

 

B) FISIOLOGIA DOS SEIOS PARANASAIS

 

                A função dos seios paranasais no homem é controvertida. Em outros animais tem função olfativa (existe mucosa olfativa nos seios). A função protetora do crânio também é lembrada (alguns animais  tem seios frontais que invadem os chifres aumentando a proteção do crânio contra traumas). Durante a respiração o ar também circula nos seios: na inspiração sai e na expiração entra, tendo então relação com as funções respiratórias nasais. Estudos recentes relacionam os seios paranasais com a produção e armazenamento de óxido nítrico. As funções relatadas na literatura são:

 

Estrutural  • reduzem o peso do crânio
                   • protegem a órbita e crânio de traumas
                   • participam do crescimento facial
Funcional   • são "caixas de ressonância" da voz
                   • aquecimento e umidificação
                   • contribuem para a secreção de muco
                   • isolamento térmico do encéfalo
                   • equilibram a pressão nasal
                   • são coadjuvantes na olfação
                   • produção e armazenamento de óxido nítrico

 

C) FISIOPATOLOGIA DAS SINUSITES

 

                As patologias próprias da mucosa sinusal (naso-sinusal) por si só produzem patologias (alergias, distúrbios muco-ciliares). As sinusites originam-se ou pioram na maioria dos casos pela obstrução da drenagem mucociliar ao nível de seus óstios. Ultimamente existe a tendência de denominar as sinusites de Rinossinusites (alérgica ou infecciosa) dada a sua íntima relação com as fossas nasais. Algumas sinusites não tem essa fisiopatologia como por exemplo a sinusite maxilar odontogênica secundária a um foco infeccioso dentário.

                Para que a infecção transponha os limites da barreira nasal e atinja a mucosa sinusal é necessário a interferência de condições de ordem geral e local.

 

                Condições de ordem geral:

                –  manifestações alérgicas;

                –  baixo índice imunológico;

                –  doenças que produzem distúrbios metabólicos: diabete, tuberculose, sífilis, avitaminose;

                –  mucoviscidose;

                –  doença mucociliar;

                –  intolerância de ácido acetil salicílico;

                –  mudanças de temperatura provocando distúrbios vasomotores;

                –  inalação de substâncias irritantes.

 

                Causas locais:

                –  desvios septais;

                –  hipertrofia dos cornetos nasais;

                –  hipertrofia vegetações adenóides;

                –  atresia coanal;

                –  fissura palatina;

                –  odontogênica;

                –  polipos nasais.

 

 

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